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Arquitetos: NTSA Architectes
- Área: 3055 m²
- Ano: 2024
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Fotografias:Vladimir de Mollerat du Jeu
Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto de ampliação do Grupo Escolar Jean Macé valoriza o know-how, a sobriedade e o bom senso. Com 800 m² de paredes de terra compactada, compostas exclusivamente por terra crua não modificada e não estabilizada, extraída a 50 km do local e aplicada utilizando o método tradicional in loco, o projeto atingiu suas ambições inéditas. Esse saber ancestral se insere de forma relevante em um projeto arquitetônico contemporâneo, dentro de um importante contrato público.
A localização da ampliação foi fundamental para integrar o projeto ao terreno de forma bem-sucedida. As regulamentações urbanísticas, o formato do terreno e a tipologia simétrica da escola existente foram os três parâmetros-chave que orientaram a definição do volume. Com base nesses elementos, o projeto foi desenvolvido em três volumes principais. Os dois primeiros, dispostos em ângulo reto, ampliam as alas leste e oeste, estendendo o programa da escola de maneira natural, respeitando o alinhamento das fachadas do edifício original e a continuidade do nível do piso térreo, que se encontra 80 cm acima do exterior. Esses volumes abrigam 10 salas de aula adicionais e um refeitório com 70 lugares, com acesso técnico dedicado para funcionários e entregas. Nos corredores que conectam as salas, foi planejado mobiliário em madeira com prateleiras e cabideiros para os alunos. As salas são iluminadas e ventiladas de forma natural, e algumas possuem divisórias móveis, permitindo que sejam divididas em dois espaços.
A planta da ampliação organiza o pátio de recreio ampliado, com um grande espaço coberto no centro das diversas áreas de jogos. Aproveitamos o desenvolvimento do programa em R+1 para criar espaços externos no andar superior, como terraços, passarelas e hortas. O terceiro volume, localizado na parte de trás do terreno, é dedicado ao Ginásio e seus espaços adjacentes. Essa localização permite o acesso direto tanto pela escola quanto pela Rue de la Liberté, possibilitando que o ginásio seja utilizado por diferentes associações fora do horário escolar. O recuo do ginásio em relação à rua possibilitou a criação de um espaço livre que organiza os fluxos e garante a segurança, além de destacar o edifício. Além da integração arquitetônica e funcional do projeto, os dois volumes quadrados que abrigam a ampliação possuem uma estrutura híbrida composta por concreto e terra compactada. Todas as paredes periféricas são de terra compactada não estabilizada, funcionando como contraventamento em uma zona sísmica. Uma fase de caracterização e experimentação da terra permitiu comprovar sua capacidade estrutural dentro do quadro regulatório definido.
No interior, o revestimento em fibra de madeira e compensado melhora o conforto térmico do edifício. As paredes de cisalhamento são feitas de concreto aparente com acabamento arquitetônico. As esquadrias de madeira nas fachadas externas permitem iluminação natural, e diversos elementos de serralheria, como escadas externas, corrimãos e marquises, foram instalados. Nos terraços superiores, ripas de madeira protegem os espaços, oferecendo um piso acolhedor e confortável. Os telhados são verdes e cimentados, permitindo a captação de água da chuva. O Ginásio tem uma estrutura de madeira que sustenta o telhado, oferece contraventamento e abriga um campo fotovoltaico para abastecer toda a escola. Para a parte existente do edifício, foi instalada uma camada térmica externa em fibra de madeira, cobrindo todas as fachadas e com atenção especial para a reprodução das molduras da fachada original. No interior, o novo hall de passagem, criado no lugar da escada central demolida, conta com duas grandes janelas de alumínio, proporcionando iluminação e conforto a essa nova área de recepção, que ajudou a requalificar a entrada do edifício histórico.
A conclusão deste projeto complexo e inovador reflete anos de trabalho coletivo, realizado em colaboração com todos os envolvidos. As fachadas de terra compactada, agora integradas ao contexto urbano da cidade, não só ilustram esse saber ancestral, mas também diversificam a paisagem construída. A escolha pela terra compactada como material estrutural, com o mínimo de modificações, é uma diretriz central do projeto, fundamentada em uma filosofia social e econômica. Viver em uma escola construída com terra crua local é uma maneira prática de educar as crianças sobre métodos de produção e construção sustentáveis, em harmonia com o meio ambiente. Além disso, serve como um exemplo concreto para os jovens ocupantes da escola, mostrando o que uma mudança para um estilo de vida mais sóbrio e sustentável poderia significar.