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Arquitetos: IAAC
- Ano: 2025
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Fotografias:Adrià Goula

Descrição enviada pela equipe de projeto. O Campus Valldaura Labs do Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC) está situado no Parque Natural de Collserola (Barcelona), com 135 hectares. É conhecido por sua abordagem inovadora ao utilizar tecnologias avançadas em seus projetos. Seguindo essa prática, o Campus introduziu um robô industrial KUKA, que é uma ferramenta versátil capaz de cortar madeira e realizar outras tarefas de precisão. Como parte do "Mestrado em Arquitetura Avançada e Biocidades" (MAEBB), uma equipe internacional de estudantes enfrentou o desafio de projetar e construir ao longo de quatro meses um laboratório completamente funcional para esse robô.


O objetivo do projeto era criar um espaço dedicado a abrigar e fazer funcionar esse robô industrial fresador de 6 eixos. Com uma estrutura de madeira, claraboias e um ambiente refinado, o espaço evoca sutilmente a arquitetura de uma catedral. Como homenagem tanto ao artesanato quanto à tecnologia, o novo volume recebeu o nome de CORA, acrônimo de Cathedral of Robotic Artisans (Catedral dos Artesãos Robóticos).


O desafio do projeto foi estabelecer um diálogo entre a antiga estrutura do edifício feita de tijolos, construída no século XIX e utilizada originalmente como estábulo para cavalos, e uma nova estrutura de madeira representativa do design do século XXI. O novo volume foi projetado incorporando espaços, serviços e infraestruturas apropriados tanto para as operações robóticas quanto para a interação humana.

O desenho da edificação consistiu em recondicionar uma estrutura existente adjacente ao Green Fab Lab – o centro de pesquisa e fabricação digital do campus. O antigo telhado foi retirado, mas as paredes de tijolo foram preservadas, para depois serem restauradas e reforçadas cuidadosamente com a finalidade de manter a integridade estrutural do volume. A madeira foi escolhida como o principal material de construção, integrando-se perfeitamente à paisagem e à arquitetura circundantes. O projeto proposto garante funcionalidade e harmonia estética, ao mesmo tempo em que oferece uma alternativa sustentável aos materiais de construção habituais.

Uma estrutura arbórea. O projeto apresenta uma estrutura de madeira criada por sete pilares ramificados que representam troncos de árvore. Esses pilares sustentam um telhado com geometria Voronoi, feito de madeira maciça e juntas de madeira laminada (CLT). A marcenaria, elaborada com precisão por meio de usinagem de controle numérico por computador (CNC), permite que a estrutura abranja uma superfície de 8,8 por 4,6 metros. Essas juntas foram fabricadas a partir de painéis de CLT produzidos nos Laboratórios do Campus Valldaura.

Devido às limitações de profundidade do corte em CNC, algumas juntas foram fabricadas com quatro camadas fresadas individualmente. Depois, foram coladas entre si para formar elementos coesivos. O resultado é uma massa estrutural unificada e sem juntas que abriga as instalações do ateliê e sustenta um telhado verde vivo. As técnicas tradicionais de marcenaria foram combinadas com métodos de fabricação digital para construir as uniões dos pilares estruturais (200 x 260 mm) e as vigas (200 x 400 mm), que são de madeira maciça. Os quatro lados da estrutura foram pré-montados fora da obra, depois foram inseridos com guindaste dentro das quatro paredes de tijolos e, por último, foram parafusados firmemente ao solo.


Para instalar a nova estrutura e atender às exigências estruturais esperadas do robô, foi criada uma base de concreto sobre a qual foi colocado o robô industrial KUKA. A fachada é formada por painéis de CLT, fresados refletindo um padrão paramétrico. Esta solução garante que o volume se integre harmoniosamente à paisagem natural e histórica circundante, ao mesmo tempo em que faz referência à nova estrutura que abriga em seu interior. Por outro lado, a face interna dos painéis preserva a textura natural da madeira.

Um objetivo chave do projeto era maximizar a luz natural dentro do espaço, especialmente através da claraboia situada sobre o robô.

A cobertura verde mediterrânea foi projetada com uma abordagem cuidadosa e funcional. A primeira camada é uma membrana impermeabilizante, aplicada com uma pistola de calor sobre os painéis de madeira do telhado. Sobre essa membrana, é colocada uma camada de tecido geotêxtil, seguida por uma chapa de drenagem e húmus, que favorecem o crescimento de espécies vegetais autóctones mediterrâneas. Para garantir uma hidratação adequada, tubos de irrigação foram instalados como último passo. As plantas escolhidas para a cobertura verde incluem a madressilva comum, a clemátide doce, o sedum rasteiro e a lavanda francesa, todas selecionadas por sua adaptabilidade ao clima e pelo seu valor estético. Atualmente, a equipe do Valldaura Labs utiliza o CORA como parte de suas iniciativas para a criação de protótipos, desenvolvendo novas soluções para o design sustentável e a fabricação avançada.
