"Os arquitetos hoje tendem a depreciar-se, consideram-se como não mais que cidadãos comuns, sem o poder de reformar o futuro." - Kenzo Tange
Construído em 1967, o Centro de Imprensa e Difusão Shizuoka é um dos edifícios mais emblemáticos do arquiteto japonês Kenzo Tange. A torre foi a primeira realização espacial das ideias metabolistas de Tange, de estruturas com crescimento estrutural de inspirações orgânicas, desenvolvidas no final dos anos 1950. A edificação é muito mais significativa do que seu tamanho relativamente pequeno sugeriria, encapsulando os conceitos da nova ordem Metabolista em arquitetura e planejamento urbano que prevaleceu no pós Segunda Guerra Japonês.
Mais sobre este ícone do metabolismo a seguir ....
Construído no distrito de Ginza em Tóquio, o Centro de Imprensa e Difusão Shizuoka deu a Tange a oportunidade de materializar seus ideais Metabolistas, que almejavam uma nova tipologia urbana que poderia se auto perpetuar de forma orgânica, vernacular, "metabólica". O lote triangular estreito, com 189 metros quadrados, inspirou Tange a projetar uma estrutura vertical, consistindo de um núcleo principal de infraestrutura, o que poderia evoluir a uma mega-estrutura urbana (um termo cunhado por um colega Metabolista, o arquiteto japonês Fumihiko Maki), na qual poderiam ser "plugadas" um número infinito de cápsulas pré-fabricadas.
O núcleo de infraestrutura é um cilindro de 7,7 metros de diâmetro, atingindo uma altura de 57 metros, contendo escadas, dois elevadores, uma cozinha e instalações sanitárias em cada pavimento. O núcleo serve como um eixo de acesso às unidades de escritório modulares: caixas de vidro e aço de 3,5 metros de balanço que pontuam o núcleo principal em lados alternados.
Um total de treze escritórios individuais foram dispostos em cinco grupos de dois ou três módulos conectados assimetricamente ao feixe central. Varandas formam espaços entre os grupos, permitindo que futuras unidades pudessem ser "plugadas", uma ideia que nunca se materializou. A estrutura tem hoje a mesma quantidade de unidades de quando foi erigida em 1967, e por isso a visão metabolista de Tange para uma regeneração perpétua em uma megaestrutura urbana pré-fabricada nunca foi cumprida.
Os ideais utópicos do metabolismo evoluíram no pós-segunda Guerra do Japão, quando as cidades bombardeadas no país estavam se recuperando e dirigindo-se a um rápido crescimento econômico. Tange, que serviu como um mentor do grupo, em vez de um membro oficial, apresentou os conceitos do movimento no Congresso CIAM de 1959 - conceitos que foram posteriormente desenvolvidos por Tange e seus alunos, quando ele atuou como professor convidado no MIT. O manifesto do Grupo: Metabolismo: As propostas para o Novo Urbanismo (Metabolism: The Proposals for New Urbanism), foi lançado em 1960 e abriu com a seguinte declaração:
"Metabolismo é o nome do grupo, onde cada membro propõe novos projetos para nosso mundo através de estruturas de concreto e ilustrações. Consideramos a sociedade humana como um processo vital - um desenvolvimento contínuo do átomo à nebulosa. A razão pela qual usamos uma palavra tão biológica, metabolismo, é que nós acreditamos que design e tecnologia podem ser uma extensão da sociedade humana. Não iremos aceitar o metabolismo como um processo natural, mas tentar incentivar o desenvolvimento metabólico ativo da nossa sociedade através das nossas propostas."
Embora a maioria de suas ideias permaneçam teóricas, seus projetos não construídos, como a "Cidade em forma de Torre", bem como projetos construídos, como o Pavilhão da Expo 1970, em Osaka ou a Nakagin Capsule Tower (1972), influenciaram um número incontável de arquitetos contemporâneos no Oriente e no Ocidente, incluindo o historiador Reyner Banham e o grupo britânico vanguardista Archigram.
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Arquitetos: Kenzo Tange
- Área: 1500 m²
- Ano: 1967
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Fotografias:Design Observer