- Área: 100 m²
- Ano: 2011
-
Fotografias:Diego Kuffer
-
Fabricantes: Hunter Douglas, Herman Miller, Atec, Brakey, Deca, E:light, Espelhos e Box Santana, FAS Iluminação, Flexfloor, FutonCompany, Jüra / Spicy, Lamix, MCad Offices, Multiplac, NSBrazil, Palimanan, Pandin, Rivestire, Tok&Stok, Yamamura
Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizado na Zona Norte de São Paulo, este projeto foi concebido da reforma de um pequeno sobradinho, antigo e geminado. A área restrita pela pouca largura do lote, de início, foi o primeiro grande desafio: abrir a possibilidade de receber em 80m² um programa nada convencional nem econômico em termos de espaço.
Seriam 12 pessoas trabalhando na produtora e eu precisava acomodá-las confortavelmente em seus postos de trabalho formais, além de reservar espaço livre para atividades culturais e performáticas, bem como espaço para depósito de material cênico, figurino, instrumentos de música e iluminação.
Desse modo, privilegiei o eixo longitudinal do lote e propus uma longa bancada de trabalho de concreto armado, comum a todos, deixando toda a área residual livre. Para tanto, precisamos demolir a escada de alvenaria existente que fechava o ambiente e não favorecia o fluxo do novo programa. Optei por uma escada metálica vazada no mesmo sentido da bancada e do fluxo de circulação da entrada ao fundo do lote.
Para abrigar a sala de reunião, também demolimos a edícula existente nos fundos e construímos uma laje – acima da qual ficam todas as unidades externas dos splits. A sala é fechada com portas de correr de vidro, garantindo a continuidade visual de todo o escritório.
Continuidade visual esta que também é garantida pelo mesmo piso em deck da área descoberta que continua dentro da sala de reunião e também reveste uma das paredes formando um “L”. Quando precisam de privacidade para as reuniões, a porta de corre do escritório, serigrafada em branco, pode ser fechada dividindo os espaços.
Este eixo longitudinal recebe luz natural proveniente do intervalo ao ar livre pelo qual passamos para chegar à sala de reunião e é demarcado pela iluminação em trilho preto no forro, que muito remete à iluminação dos palcos em vara. Este é o único elemento em preto em meio a tanto branco das paredes, forros e piso de resina de poliuretano, que contínuo e homogêneo graças à ausência de rejuntes, também confere a fluidez visual do projeto.
Na sala de reunião a mesa foi construída em alumínio e vidro serigrafado branco com um rasgo central, para passagem de fios e cabos de tomadas. Cadeiras Tulipa Saarinen da Tok&Stok. Luminária Gota da FAS Iluminação.
O espaço embaixo da escada foi aproveitado para abrigar a copa, com frigobar retrô vermelho da Brastemp e máquina de café Jüra da Spicy. No andar de cima ficam as salas da diretoria, tesouraria e o depósito. Este último ocupou um pequeno pedaço do antigo banheiro, mas que foi potencializado verticalmente, aproveitando, assim, a maior altura do telhado, onde fica a caixa d’água, para suas prateleiras acessadas por uma escada móvel. Na sala da diretoria este espaço foi utilizado como um sótão, acessado por uma escada Santos Dumont, e serve como sala de TV e descanso, onde um acolhedor futon vermelho da FutonCompany se esparrama por quase todo o assoalho de madeira acima do forro da circulação.
Os armários planejados são da Dell Anno. Os armários do escritório são de aço tipo vestiário da Pandin, as mesas são de laminado preto da Etna, e as cadeiras Herman Miller modelo Sayl na cor branca, da Atec. Luminárias pendentes da ELight.
Os banheiros receberam acabamento de tecnocimento cinza da NSBrazil e piso de seixo telado preto da Palimanan. As cubas foram construídas em granito apicoado Santa Cecília. Louças Carrara preta e metais da Deca. Toalheiros de inox da Brakey.
Outro desafio secundário foi ocupar este sobrado tão tradicional de bairro com um programa ‘moderninho’, mas o resultado ficou supersatisfatório. Todos os que passam na rua param para reparar no interior vazado através da fachada Hunter Douglas e no túnel do prisma de entrada, com acabamento de tecnocimento da NS Brazil e porta de aço vermelha. A numeração do endereço está na placa eletrônica Lamix que exibe na fachada, dia e noite, a indicação luminosa: “Velloni n˚ 32”.
Costumava brincar, nas muitas vezes que me perguntaram se o escritório seria realmente mesmo todo branco, respondendo que não!...que a arquitetura sim seria, mas as pessoas seriam coloridas! E também são as portas do andar superior – serigrafadas nas cores primárias amarelo, azul e vermelho – e as cadeiras da bancada de trabalho no térreo, de polipropileno da MCad Offices.