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Arquitetos: A+P Arquitetos Associados
- Área: 810 m²
- Ano: 2016
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Fotografias:Manuel Sá
Descrição enviada pela equipe de projeto. A intervenção proposta para o Novo Arquivo Diocesano teve como pressupostos básicos: a restruturação do espaço externo lindeiro à rua do imóvel para abrigar as novas instalações necessárias para o funcionamento de um novo e estruturado centro de pesquisa para a comunidade, e a contextualização do imóvel na ambiência urbana da rua. A proposta procura evidenciar sua contemporaneidade ao mesmo tempo em que procura respeitar a morfologia urbana do sítio em que ocupa.
Para um melhor entendimento, entendemos ser necessário o esclarecimento acerca da poligonal de trabalho. Ela se estende em toda área externa frontal e do lado esquerdo do imóvel até os limites da hospedaria, mais ao fundo do terreno; engloba a edificação do atual arquivo, assim como as vagas de estacionamento cobertas; e por fim, se estende pelo muro em toda testada do lote.
A situação encontrada no imóvel, no que se refere não só à poligonal de trabalho, mas também ao imóvel como um todo, é a fragmentação grande do programa de usos em diversas edificações independentes e descontextualizadas no próprio terreno, desconfigurando-se como unidade, mas principalmente, em relação à cidade. Essa mesma fragmentação proporciona, além de prejuízos estéticos, também prejuízos para o funcionamento da Diocese, seja por conflitos em fluxos de veículos e de pedestre, seja por não estabelecer a hierarquia de funções da Diocese, e por fim, por não proporcional espaços amplos e contínuos.
Sob o aspecto de confrontação à morfologia urbana da cidade colonial, além da fragmentação citada, que promove um afastamentos entre as edificações, incomum no entorno, ocorre o afastamento das edificações frontais em relação à testada do terreno. Essa situação foi criada pela construção sequenciada dos volumes do conjunto de forma independente entre si num momento histórico em que os “estilos” arquitetônicos vigentes, propunham afastamentos dos corpos edificados em relação aos limites do terreno, desconsiderando sua contextualização no meio urbano de configuração completamente diferente da proposta. Esta situação provocou uma interrupção da leitura de conjunto que as cidades coloniais lograram.
Neste sentido, em relação ao pressuposto de implantar o espaço para o Novo Arquivo, a intervenção adotou as seguintes soluções: supressão de todos elementos construídos dentro da poligonal de trabalho; posicionamento de um novo volume afastado do muro limite e próximo da casa central em planta, mas com a cobertura prosseguindo até o limite do muro vizinho; e manutenção de áreas verdes localizadas nos intertícios formados entre os blocos de edificações.
Com essa proposta, um espaço aberto recebe o usuário e separa o fluxo de público externo do fluxo dos usuários internos. Ao se direcionar para o novo Arquivo, mais vistoso ao olhar atento, o usuário utiliza os espaços que lhe cabe, sem adentrar no interior da edificação central. O projeto procura tirar partido dessa condição diferenciada de acessos criando uma ambiência para o público externo onde ele sente nos espaços utilizados, uma maior integração visual dos espaços externos, também mais agradável ao uso. Para tanto, se fez necessária a decisão de criar esquadrias de vidro em todos os fechamentos laterais, permitindo uma visão até o muro “verde” ao mesmo tempo em que garante uma iluminação natural controlada.
O acesso pelo portão de veículos passa a ficar restrito aos usuários restritos com destino à hospedaria, às intalações de serviço e também como um segundo acesso à edificação principal. Por fim, para preservar essa continuidade visual ausente de obstáculos, optou-se pelo posicionamento do sanitário público colado aos sanitários existentes posicionado na proximidade da entrada da casa central.
No que se refere ao segundo pressuposto, o de contextualizar o imóvel na rua, optou-se pelas seguintes ações: demolição do muro existente para se construir um único elemento de mesmo alinhamento com encerramento superior nivelado, de forma a “amarrar” o conjunto e conferir uma maior unidade; criar as fenestrações necessárias para desconfigurar o aspecto de muro, tão prejudicial à vida da rua e também permitir que esse elemento fosse mais tratado como uma fachada de uma edificação que passa a ser encarada como todo o imóvel; tirar o peso da sua dimensão desproporcional ao restante da rua; e colar a nova edificação no limite do lote, da mesma forma que o parcelamento da cidade colonial propunha.
Tais decisões, acreditamos, resgatará a ideia de conjunto urbano da rua, ao mesmo tempo em que se cria um inevitável muro com aspecto de fachada. Para tanto, foi fundamental a opção por vincular as fenestrações do muro ao uso interno, seja ele o imediato (salas do acervo e da recepção), seja o situado num plano mais afastado (funções da casa central). Essa vinculação, por outro lado, aproxima o usuário do contato com a rua.