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Arquitetos: Gonzalo Serra Arquitetos
- Área: 250 m²
- Ano: 2020
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Fotografias:Ana Zimmermann
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Fabricantes: DuPont, Artesian, Deca, Lumion, Meber, Mobly, Monofloor, Muma, Nemetschek, Obrah, Trimble Navigation
Descrição enviada pela equipe de projeto. A reforma desta unidade residencial, concebida e construída em 1977 na cidade de Curitiba, ocupa a cobertura do prédio no qual está inserida. Trata-se de um duplex habitado por um casal jovem e um filho, inserido no 20º e 21º pavimento, o qual possui orientação leste e oeste e visual desimpedida até o horizonte, permitindo a contemplação do nascer e pôr do sol em ambos os andares e uma privilegiada vista panorâmica de diversos setores da cidade. Setorizada conforme seu uso, a residência se organiza sob o seguinte critério: no 20º andar (uso maiormente privativo), os setores de dormitório, sala de música/costura, office e lavanderia/depósito. Já no 21º, um único acesso social imediatamente permite uma visibilidade 270º da cidade, devido à dupla orientação das aberturas em uma única atmosfera espacial. Este último pavimento, de caráter semi-público, abarca os usos de cozinha-estar-jantar-sala TV de forma integrada, além de um amplo terraço externo coberto, também integrado física e visualmente.
Adicionalmente, a pedido do cliente, é neste mesmo pavimento que se integram dois outros usos peculiares: sauna e jacuzzi, os quais foram coesamente associados à proposta arquitetônica, sem desqualificar e comprometer a ambiência dos setores de uso diário mencionados, através de elementos como floreiras e painel de revestimento contínuo em madeira. Buscou-se uma extraordinária leveza, não apenas com a utilização de cores claras, mas também com a finura de todos os elementos arquitetônicos (bancadas, estruturas de mobiliário, perfilados do conjunto luminotécnico, escada). Materialmente, o projeto como um todo obedece ao critério de plano de fundo em uma paleta controlada, maiormente monocromática. Optou-se por revestir os pisos originais por uma solução milimétrica de microcimento em tom claro, sem juntas. Todos os forros e teto foram pintados de branco, além da nova intervenção luminotécnica obedecer o mesmo critério de cor. O resultado foi um “canva” pálido, equilibrado e amigável à luz, que dialoga harmoniosamente com painéis e mobiliário madeirados e de texturas maiormente claras.
A integração interna vertical de ambos pavimentos é efetuada através de uma nova proposta de escada metálica, concebida íntegra e estruturalmente em aço maciço, além de seu guarda-corpo composto por tubos metálicos retangulares. Todo o conjunto da escada obedece rigorosamente a distância de 20mm em relação ao vazio da laje, medida mínima para a passagem dos dedos durante o percurso pela mesma, e respeitando nesta pequena soltura, a construção original. A mesma possui dois lances independentes, sendo o primeiro engastado na parede de concreto estrutural do núcleo de elevadores, e o segundo “pendurado” da viga de sustentação da laje do pavimento superior. Tal solução corroborou significativamente com o contexto geral da leveza da residência. O tom claro esverdeado atribuído à escada visa unificar a paleta de cores dos dois andares, mimetizando o tom natural da vegetação com a palidez do microcimento e branco presente nas paredes dos dois pavimentos.