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Arquitetos: BBOA - Balparda Brunel Oficina de Arquitectura
- Área: 700 m²
- Ano: 2020
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Fotografias:Javier Agustín Rojas
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Fabricantes: Alberto Bazan, Aquagas, AutoDesk, Balcarce 54, Bryan Denhof, CHAR Amoblamientos, CICCIOELEC, Chaos Group, Color Plus Pinturerias, HIPERMAT, IVANAR, Pavitec, Proios & Cia, Ricci, Robert McNeel & Associates, Trimble Navigation, Venthal
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Descrição enviada pela equipe de projeto. O Edifício Morrison está localizado em Fisherton, um bairro residencial suburbano a oeste de Rosário, na Argentina, cuja origem data do final dos anos 1800, como consequência do desenvolvimento das Infraestruturas Ferroviárias da Argentina Central (FFCC), que ligariam a cidade ao oeste do país. Inicialmente concebido como uma área de fazendas onde os operários e trabalhadores da FFCC morariam, vindos principalmente da Inglaterra, o bairro tem edificações com uma linguagem que remete à arquitetura inglesa do século XIX: grandes casas de tijolos expostos, perímetro livre, telhados inclinados, várias construções soltas pelos grandes terrenos com jardins proeminentes e bosques densos.
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Desde essa época o bairro vem passando por algumas mudanças tendendo ao adensamento de seu tecido, mas mantendo o traçado original de suas ruas. No início, o parcelamento do solo era organizado em grandes lotes, ultrapassando os 5000m². Numa segunda fase, por volta das décadas de 1970 e 1980, começou a ser observada uma subdivisão de terrenos perto de 1500m² e 2000m² para habitações unifamiliares, principalmente de classe alta. Neste momento, parte da arquitetura original do local começou a ser substituída por novas construções, visando manter certos recursos formais, estilísticos ou materiais existentes no setor. Hoje em dia, são poucas as construções que permanecem originais e inalteradas, que denotam o caráter autêntico e a identidade desta porção da cidade, sendo uma delas a antiga Estação Ferroviária. No entanto, a predominância de vasta vegetação, vedações densas e floridas, passeios por jardins e casas com perímetro livre continuam a ser as características predominantes do bairro.

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Atualmente, o bairro encontra-se nos estágios iniciais de um novo processo de adensamento do solo, onde os lotes de 1.500m² e 2.000 m² não são mais locais para residências unifamiliares de grandes áreas; e sim, se tornam um destino para complexos habitacionais multifamiliares com áreas exclusivas.
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Este projeto, portanto, consiste em um conjunto de casas de sete unidades iguais de 100m² cada, localizadas em um lote de 1500m². Isso implicou em um adensamento do solo três vezes maior do que o vigente no bairro, bem como a repetição do mesmo elemento edificado, o que representou um grande desafio, dada a condição de diversidade dessas construções.

Nesse sentido, desenvolveu-se uma série de hipóteses e variáveis sobre como deveriam ser essas novas casas e quais eram os valores a resgatar do contexto em que foram implantadas. O programa exigido implicava um adensamento de edificação comparável ao existente nos bairros mais consolidados do centro da cidade; No entanto, a intenção foi focada em não negligenciar aqueles recursos considerados valiosos no ambiente.
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Através de uma análise do local, identificou-se que o principal valor daquele local estava nos espaços intermediários, o intersticial, aquele que existe entre as casas e entre as construções e seus limites. Tomando esse reconhecimento como ponto de partida da proposta, o projeto do Edifício Morrison pretende recriar essas situações de espacialidades intermediárias, de diferentes proporções e usos: entrada, expansão, estacionamento e serviço. Nesse sentido, as sete unidades do complexo passam a ser unidades com perímetro livre, com aberturas para as quatro orientações, que podem circular por todos os lados; sendo todas essas características que evocam a identidade do local.
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Por outro lado, um dos requisitos imutáveis dos clientes era que as casas tivessem a mesma distribuição, área, número e tipo de instalações. O desafio do projeto passou a ser conseguir, a partir de um mesmo terreno, sete moradias únicas dentro do complexo; que apresentem alguma particularidade e que se possam distinguir entre si, por ligeiras alterações ou diferenças, evitando, assim, a percepção de uma repetição infinita que poderia se traduzir em uma paisagem monótona. Interpretando o espaço aberto intermediário como uma ferramenta que permitiria tal característica, as áreas de expansão de cada casa dariam a elas uma singularidade, pelas suas proporções, pela sua relação com a luz e sombra, e pela sua relação com as casas vizinhas.
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Para a articulação do todo, o projeto recorre a uma série de decisões, sendo uma delas a configuração de um percurso peatonal, interno ao lote. Este percurso sinuoso possibilita a observação particular das casas. Por sua vez, foi aplicada uma série de rotações de plantas e inclinações de telhado para acentuar a singularidade de cada unidade. Nesse sentido, outras decisões de menor escala são adicionadas, como certas variações nas aberturas, no seu tamanho ou na adição de um filtro visual.
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No interior, o projeto busca recriar o funcionamento de uma casa tradicional, condensando o programa num único volume de madeira localizado no espaço, livre de muros perimetrais, circulável nos quatro lados, e articulando os espaços, como acesso, escada, cozinha e sala. No piso superior, a espacialidade do programa é otimizada, numa pequena área, a partir das coberturas inclinadas que proporcionam uma certa homogeneidade geométrica em relação ao exterior.
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Em síntese, a proposta visa retomar aqueles valores característicos do ambiente local, e transferi-los para um novo programa e uma nova tipologia, o da Habitação Coletiva. A ideia foi intervir de forma respeitosa no terreno e responder aos requisitos através de uma forma de pensar e fazer arquitetura que permeia todo o nosso trabalho e nos representa.
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