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Arquitetos: Z.O.P. - Institute for Spatial Design
- Área: 50 m²
- Ano: 2023
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Fotografias:Jana Jocif

Descrição enviada pela equipe de projeto. Z.O.P. – Institute for Spatial Design, responsável pela publicação da Outsider, principal revista de arquitetura da Eslovênia desde 2015, promove práticas de construção sustentáveis, como o uso da terra. Em 2018, convidaram Martin Rauch, especialista em construção com terra compactada, para uma palestra em Liubliana, inspirando a equipe do instituto – formada por arquitetos, sociólogos e paisagistas – a "sujar as mãos" e experimentar materiais locais no interior da Eslovênia. Desde então, essa abordagem colaborativa tem reunido arquitetos, escritores, estudantes e a comunidade local. Construir com terra apresenta diversas vantagens: é o material com a menor pegada de carbono, amplamente disponível (até como resíduo de obras) e possui excelentes propriedades, como regulação da umidade, acumulação de calor e neutralização de substâncias nocivas, tornando-o uma escolha sustentável e saudável para moradias acessíveis.



A construção com terra não apenas promove sustentabilidade, mas também fortalece comunidades. Mais de 150 pessoas de diferentes países, como Eslovênia, Hungria, Áustria, Itália e Brasil, participaram de oficinas que fomentaram amizades e exploraram o potencial da terra para transformar espaços públicos. O processo colaborativo de construir, aprender e criar juntos reforça conexões e inspira inovações. Nessas oficinas, a construção experimental combina ciência e intuição: enquanto uma abordagem foca no aperfeiçoamento de misturas e na medição de propriedades, a outra explora a criatividade e a improvisação, inspirando-se no livro Homo Ludens, de Johan Huizinga, que enxerga o lúdico como base cultural. Ao revisitar formas arquitetônicas simples, como paredes e colunas, os participantes se reconectam com o ambiente e com a essência atemporal da arquitetura.




Os experimentos com pavilhões refletem uma jornada de aprendizado e inovação na construção com terra. O Pavilhão 1 (2022) marcou o início desse processo, com participantes superando desafios iniciais de mistura para erguer uma parede robusta de dois metros, símbolo do crescimento da equipe. No Pavilhão 2 (2023), os aprendizados foram aplicados ao desenvolvimento de sistemas modulares e técnicas avançadas, como a compactação pneumática. Uma oficina estudantil explorou como esses sistemas podem enfrentar desafios habitacionais modernos, e o conceito continua a evoluir. Já o Pavilhão 3 (2024) testou os limites estruturais da terra, construindo pilares cilíndricos esbeltos de dois metros, reforçados com vergalhões e fibras de coco, que dobraram a resistência do material. Esses pilares destacam a versatilidade e a resiliência da terra como material de construção.

A Terra como Ponte Cultural – Selecionado para o Prêmio Europeu de Espaço Público 2024, o Parque dos Oráculos simboliza um modelo de arquitetura sustentável e construção comunitária. Mais do que uma técnica construtiva, trabalhar com terra é um ato de conexão profunda com os materiais, as pessoas e o ambiente, fortalecendo laços e promovendo um futuro sustentável.
