Os organizadores do concurso internacional de arquitetura Bee Breeders anunciaram os três vencedores e menções honrosas do concurso de projeto para o pavilhão portátil do Charlie Hebdo. Com o propósito de ser uma exposição itinerante do trabalho da revista francesa “Charlie Hebdo”, aos participantes foi pedido que "suportassem e promovessem" os princípios da liberdade de discurso no projeto. Respondendo aos ataques terroristas contra o Charlie Hebdo e o subsequente diálogo internacional sobre liberdade de discurso, o concurso buscou desconstruir as "premissas convencionais da liberdade de expressão" e olhar especificamente para "o que torna livre o discurso e o quanto isto custa".
Cada proposta foi julgada pela maneira a qual desafiou estas premissas em termos de espaço, material e forma. Foi dada preferência aos projetos que possuíam conceitos claros, circulação, sequência e narrativa, além de engajamento público e uma "reconciliação entre o abstrato e o teórico com o físico e o real". Também foram dadas considerações pela forma como os projetos contribuíram para o discurso - em vez de expressar uma oposição - em relação às crescentes áreas "ideológicas, políticas e culturais binárias".
Terceiro Lugar
Luca Longagnani, Alexine Sammut, Marta Fernandez Guardado | Alemanha
Utilizando uma "arquitetura universal do silêncio", o projeto transcende as ideologias presentes em outras propostas, derrubando "os binários entre culturas, sistemas econômicos e regimes políticos". Uma parede circular com uma única entrada separa o exterior do interior e duas paredes circulares centrais criam uma progressão no interior. Uma exterior espelhada e uma interior lisa, fosca, sem função pré-definida criam "um local de discussão, contemplação e reflexão".
Segundo Lugar
Shuzhi Yang, Yupeng He, Liwei Yu | China
O segundo lugar utiliza duas geometrias distintas - uma esférica e uma plana - para expressar suas ideias. Um balão maciço flutua sobre o terreno, sustentando uma cobertura de aço flutuante. O teto suspenso cria uma plataforma para contemplações individuais ou em grupo. O balão e a cobertura - a esférica e a plana - criam um "contraste análogo", engajando a metafísica e a metáfora com seu jogo de luzes e volumes. Sua forma universal e qualidade monumental homenageiam um "ideal lúcido e o sacrifício daqueles que foram perseguidos por isto".
Primeiro Lugar
Aurélie Monet Kasisi, Anouk Dandrieu | Suíça
Através de sua "seleção, organização e representação de arquétipos autônomos", o primeiro lugar cria um senso de "não-lugar (Utopia)”, permitindo ser livre de viés políticos. Este resulta numa plataforma para discurso deliberado. Armações, organizadas em "uma área de uma forma estriada, mas ordenada", cria um espaço para expressão e é esculpido para criar nós de atividades concentradas". Apesar da área como um todo, permanecer aberta, as armações agem individualmente como paredes, fechando os indivíduos, enquanto ao mesmo tempo os relaciona com o todo. Tanto como projeto quanto representação, a proposta incorpora o discurso livre e a "liberdade de expressão dos promotores do Charlie Hebdo”.
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