Foram exatamente 30.645 os visitantes que, durante o fim-de-semana, passaram pelos 51 locais que estiveram de portas abertas no âmbito da segunda edição do Open House Porto. Depois dos 11 mil visitantes registados na edição do ano passado, ninguém tinha ousado prever uma tão grande afluência de público, a qual definitivamente situa este evento entre as principais marcas culturais do país, reforçando a importância da colaboração entre as três cidades da Frente Atlântica do Porto e o peso da arquitetura na cultura da região.
Se o número de visitantes do Open House Porto praticamente triplicou relativamente à primeira edição, uma parte considerável deste registo deve-se ao Terminal de Cruzeiros de Leixões, que foi visto por catorze mil pessoas. Os outros edifícios mais visitados foram o Mosteiro da Serra do Pilar (1.439 visitantes), o Farol da Boa Nova (1.204 visitantes), a Casa de Serralves (1.128 visitantes) e o Palácio do Bolhão (938 visitantes).
O programa delineado por Jorge Figueira, comissário da iniciativa, e pelo comissário adjunto, Carlos Machado e Moura, sublinhou a excelência do patrimônio edificado do Porto, de Gaia e de Matosinhos, tendo constituído um verdadeiro sucesso. Desde as primeiras horas de sábado foi possível constatar a existência de longas filas para visitar alguns dos edifícios a que o Open House abriu as portas.
Organizado pela Casa da Arquitectura e pela Trienal de Arquitectura de Lisboa, com a parceria estratégica da Câmara Municipal do Porto e a colaboração das câmaras municipais de Gaia e de Matosinhos, o Open House Porto procurou este ano estimular a descoberta de lugares privados de instituições reconhecidas, combinando grandes imóveis com residências privadas, numa uma viagem por arquiteturas esquecidas que revisitou a casa burguesa do princípio do século XX, mas a habitação de cariz social surgida após a revolução de 25 de Abril de 1974.
Segundo Nuno Sampaio, diretor executivo da Casa da Arquitetura, esta opção “permitiu mostrar que os bairros sociais são locais que fazem parte da cidade e que são visitáveis, onde a boa arquitetura também está presente”. “Para os moradores, sentirem que fazem parte da grande festa que é o Open House acaba por se traduzir também num incremento da auto-estima”, acrescentou, sublinhando a lógica inclusiva desta opção.
O Open House Porto 2016 integrou, recorde-se, visitas experimentais concebidas tendo em contas as necessidades especiais de cegos e surdos, bem como programas especiais para famílias. Face aos resultados alcançados este ano, que estas visitas sensoriais serão alargadas a mais edifícios já na edição do próximo ano. O evento mobilizou este ano 176 voluntários e 64 especialistas.
O Open House é, recorde-se, um evento internacional de promoção da arquitetura e do patrimônio edificado, criado em Londres por Victoria Thornton. Com mais de 20 anos de história, este evento estende-se atualmente a mais de 30 cidades em todo o mundo, tendo como objetivo dar a conhecer e estimular o interesse de todos pela arquitetura de excelência através de visitas gratuitas a edifícios das mais variadas épocas e tipologias. Portugal é um dos poucos países da família do Open House com mais de uma edição, sendo o Open House Porto o único evento que congrega a arquitetura de três cidades simultaneamente.