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A Prefeitura de Jundiaí em parceria com o IABsp organizou um concurso de ideias para o Vale do Rio Jundiaí com o objetivo de promover uma nova proposta de desenho para o local, considerando tanto o contexto regional, dentro do aglomerado urbano, quanto sua relação com a vida do seu entorno imediato.
A equipe liderada por Marie Caroline Lartigue e composta por Giovanna Helena Benedetti de Albuquerque, Luiz Felipe do Nascimento e Luiz Filipe Rampazio foi premiada com o primeiro lugar. Veja, a seguir, a proposta vencedora acompanhada do memorial descritivo.
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Da equipe: O projeto do Parque Metropolitano do Vale do Rio Jundiaí se desenvolve como resposta à necessidade de repensar a relação do meio urbano com seu rio e corpos d’água. Através da análise da ocupação urbana notamos deficiências que corroboram para um tecido pouco coeso, onde o rio não é protagonista da paisagem, mas deixado em segundo plano pela marginal, articuladora desse eixo norte-sul. Não obstante, esse caráter rodoviarista divide seu papel estruturador da malha urbana com a ferrovia, próxima e linear ao rio. É, portanto, elemento igualmente importante para a compreensão das problemáticas e potencialidades da área.
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O Vale do Rio Jundiaí é ocupado por vias de trânsito expresso, com calçadas pequenas e pouco qualificadas, vegetação escassa e travessias limitadas. Os lotes que compõem suas margens possuem ocupação esparsa, em muitos casos se tratando de grandes glebas subutilizadas ou grandes estruturas ensimesmadas, tornando a área erma e pouco atrativa. Com exceção do jardim botânico e algumas pontuais praças recentemente construídas nas bordas, não há significativos espaços livres de uso público ou áreas vegetadas acessíveis, muito menos contato direto ou indireto com a água dos rios e córregos que compõe o sistema. O centro histórico da cidade por sua vez, se vê segregado da área do vale e região leste: a ferrovia, a marginal e o rio conformam atualmente barreiras físicas, sobretudo para o pedestre.
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A proposta buscou reverter essa dinâmica, propondo um sistema que engloba a criação de vias, espaços livres públicos, áreas verdes, novas transposições do rio e da ferrovia, requalificação de estruturas existentes, integração ao patrimônio ferroviário local e uma ocupação urbana organizada e consciente.
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Para reconfigurar o sistema viário de modo que integre as diversas formas de mobilidade, foram determinadas algumas premissas. Partimos da previsão de que o trecho da CPTM entre Jundiaí e Campinas passará a transportar passageiros. Uma nova estação para o trem é então proposta próxima ao Jardim Botânico e ao Sesc. A relevância da Av. Antônio Frederico Ozanam para conexão entre municípios é então questionada, podendo ter um caráter mais local, com leito carroçável mais estreito, nivelado em alguns trechos com a calçada e com velocidade reduzida. As novas travessias contribuem para desacelerar o fluxo de automóveis e priorizar pedestre e ciclistas. É também proposto um novo modal de transporte, o veículo leve sobre pneus (VLP) que se interliga aos sistemas de ônibus municipais e de longa distância, com paradas nos terminais existentes, assim como às estações de trem.
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Ao passo em que a via ao longo do rio é alterada, as calçadas têm suas dimensões adequadas, é possível implementar um parque linear, formando um sistema de espaços livres públicos e vegetados, integrando massas de vegetação e áreas verdes acessíveis existentes e incorporando lotes lindeiros vazios ou subutilizados para nova urbanização e adensamento. Cambia-se a relação com o Rio Jundiaí e seus afluentes, na medida em que requalifica suas margens, regulariza o sistema de águas e o aproxima fisicamente das pessoas.