A primeira segunda-feira de outubro de cada ano marca o Dia Mundial da Arquitetura e o Dia Mundial do Habitat. Celebrados simultaneamente, buscam lançar luz sobre o ambiente construído e seus desafios, assumindo um tema diferente a cada nova edição. Este ano, através do Dia Mundial da Arquitetura, a UIA aposta na “Arquitetura para o bem-estar”, alinhada com a designação de 2022 como o Ano UIA do Design para a Saúde em edifícios e cidades. Paralelamente, o Dia Mundial do Habitat da ONU está centrado em “não deixar ninguém para trás”, e visa abordar para o problema da desigualdade e desafios nas cidades e assentamentos humanos em decorrência da pandemia de Covid-19, das mudanças climáticas e de conflitos de todo tipo.
Apresentando o Outubro Urbano, 31 dias para promover um futuro urbano melhor, o Dia Mundial da Arquitetura e o Dia Mundial do Habitat impulsionam os debates sobre sustentabilidade urbana. Posicionando-se no debate, o ArchDaily participa promovendo conteúdos que abordam os principais tópicos dessas datas, conscientizando, apresentando soluções, engajando a comunidade internacional e empoderando aqueles que fazem arquitetura para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
A pandemia de Covid-19 escancarou as mazelas da sociedade brasileira, deixou ainda mais clara a desigualdade social e isso reverberou de forma muito acentuada na educação. As aulas foram suspensas e o ensino remoto virou uma realidade vivida de diferentes formas pelos estudantes ao redor do país, com a falta de acesso e oportunidades ainda mais gritantes. No episódio 46 do Betoneira Podcast, a convidada é a arquiteta e professora Ana Goes Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), para falar sobre a importância do ensino presencial nas faculdades de arquitetura e urbanismo.
Overall Winner- Shadow Housing- Jeffrey Liu and Haylie Chan. Image Courtesy of Arch Out Loud
Uma casa, ou lar, é talvez a tipologia arquitetônica mais importante de nossas vidas. Como um lugar de intimidade e segurança, nossa casa é um mundo à parte e um espaço de pausa, descanso e relaxamento. Historicamente, nossos lares também são geridos por uma rotina, seja pela horários que desempenhamos nossas tarefas corriqueiras ou ainda na maneira como utilizamos os cômodos da casa para realizar estas atividades. É um hábito dormir sempre no mesmo quarto e passar a maior parte do tempo na sala de estar assim como o lugar de preparar a comida é a cozinha e de comer a sala de jantar.
Entrega de cestas básicas. Colagem realizada a partir de imagens disponibilizadas por Facebook da MTST-Leste 1. Autoria própria
Com a pandemia do coronavírus, a questão da moradia ganhou ainda mais importância. O que já era um tópico de grande relevância nos territórios populares – através da aquisição da casa própria o trabalhador passa a ser reconhecido efetivamente como parte integrante da cidade – ganha magnitude, uma vez que a não obtenção de condições mínimas podem ser fatores de mortalidade; se tornando essencial a necessidade de ter acesso à habitação adequada, com direito a infraestrutura e bem localizada.
O ranking das melhores cidades do mundo para se viver em 2022 produzido pela Global Finance acaba de ser divulgado. Realizado a partir de oito parâmetros diferentes que calculam e comparam a qualidade de vida das pessoas que vivem em áreas urbanas, como economia, cultura, população, meio ambiente etc., a edição deste ano também levou em consideração o número de mortes por Covid-19 para cada mil habitantes nos diferentes países. Com dados do Global City Power index, Johns Hopkins University, Statista e Macrotrends, a lista busca oferecer uma visão completa, unindo métricas tradicionais a novos fatores.
O primeiro lugar ficou com Londres, no Reino Unido, uma cidade que, embora não tenha obtido classificações altas em suas métricas de Covid-19, ainda lidera a lista devido às pontuações em cultura, acessibilidade e crescimento populacional. Tóquio ficou com a segunda posição, mostrando pontuação baixa no parâmetro população, decaindo em número de habitantes na última década. Xangai vem em seguida, na terceira posição, devido aos números relativamente baixos de mortes por Covid-19 e ao forte crescimento populacional. Singapura e Melbourne ficaram em 4º e 5º lugares.
Enquanto a cidade continua a evoluir e se transformar, cantos mortos na paisagem urbana começam a emergir, reduzindo, em consequência, os níveis de atividades no nosso ambiente construído. Essas "zonas mortas" se referem a áreas onde falta engajamento ativo, elas permanecem vazias e privadas de pessoas, já que não se mostram mais úteis ou atraentes. Enquanto a pandemia de Covid-19 se aproxima do fim, a primeira questão que podemos enfrentar após a pandemia é a retomada do nosso ambiente urbano. Um sopro de vida em uma paisagem urbana cansada e desatualizada...
O elemento focal na criação de um ambiente urbano ativo e saudável é o aumentar a vitalidade através da ocupação e criação de espaços. Criar lugares diversos e interessantes para morar, florescer, e trabalhar. Aqui estão cinco estratégias regenerativas que animam a paisagem urbana e produzem ambientes resilientes, atraentes e flexíveis.
Os cosmopolitas se orgulham de seus locais culturais célebres, seus cronistas de perspicácia intelectual e suas façanhas arquitetônicas. Enquanto esses ícones se divertiam com os projetos ornamentados, a grandiosidade imersiva e a acústica marcante, a pandemia introduziu vários desafios às regras de aglomeração.
Reconhecendo as mudanças nos rituais de assistir a um espetáculo – do cortejo de entrada ao encontro e à aglomeração – arquitetos e líderes culturais estão projetando a próxima geração de teatros enquanto fazem a pergunta: como a arquitetura resolve questões pelo propósito inerente de um edifício? É possível manter a essência de um local por meio de mudanças suaves, mas eficazes, nos hábitos das pessoas? As respostas parecem depender da atualização da cultura do auditório (que remonta ao Coliseu) com soluções de projeto contemporâneas e enraizadas em novas tecnologias.
https://www.archdaily.com.br/br/976861/como-serao-os-espacos-para-eventos-pos-pandemiaOsman Can Yerebakan
A Comissão de Ensino e Formação (CEF) do CAU/RJ está realizando a pesquisa Impactos do Ensino Remoto na Formação de Arquitetas e Arquitetos Urbanistas. O objetivo é analisar o impacto da pandemia da Covid-19 na graduação e na formação profissional durante o período pandêmico e seus desdobramentos futuros, considerando a implementação de aulas remotas e restrições de atividades curriculares e extracurriculares nas escolas de arquitetura e urbanismo do estado do Rio de Janeiro.
https://www.archdaily.com.br/br/972772/cau-rj-realiza-pesquisa-sobre-os-impactos-da-pandemia-no-ensino-de-arquitetura-e-urbanismoEquipe ArchDaily Brasil
Jacob K. Javits Convention Center em New York City, Abril, 2020. New York National Guard. (U.S. Air National Guard foto por Major Patrick Cordova)
A cidade sempre foi um palco de transformações. Mudam-se os direcionamentos, os fluxos, as formas como as pessoas se apropriam dos espaços, alteram-se os desejos, surgem novas demandas, novos lugares. Tal abundância, ao mesmo tempo em que permite um caráter inovador e mutável à cidade, tende também a exigir da arquitetura uma flexibilidade programática e estrutural. No último ano, especialmente, pudemos acompanhar – em vertiginosa velocidade – grandes mudanças nas cidades e nos seus espaços. A pandemia trouxe consigo novos paradigmas, desestruturando repentinamente ordens há muito estabelecidas. As casas viraram escritórios, os escritórios viraram desertos, hotéis deram lugares a leitos médicos e estádios se transformaram em hospitais. A arquitetura, em meio a tudo isso, teve de mostrar sua flexibilidade abrigando usos que antes eram inimagináveis. Uma adaptabilidade que parece ser cada vez mais a chave para a criação de espaços coerentes com o modo (e a velocidade) como vivemos.
Neste ano, as duas organizações definiram temas relacionados à melhoria da qualidade de vida e redução dos efeitos da crise climática por meio de ações no ambiente construído. Enquanto o tema do Dia Mundial da Arquitetura 2021 da União Internacional de Arquitetos é "Meio ambiente limpo para um mundo saudável", o Dia Mundial do Habitat da UN-Habitat anunciou "Acelerando a ação urbana para um mundo livre de carbono" como tema.
No artigo desta semana da Metropolis Magazine, Madeline Burke-Vigeland, arquiteta associada ao American Institute of Architects, credenciada pela LEED e diretora na Gensler, e Benjamin A. Miko, doutor em medicina e professor assistente do Centro Médico da Columbia University exploram juntos como a padronização de soluções técnicas e construtivas poderiam ser a solução que todos precisamos para melhor proteger as pessoas da COVID-19 e de futuras pandemias.
Há cerca de um ano, a palavra bem-estar tinha um efeito diferente do que hoje. A pandemia da Covid 19 cristalizou a necessidade que todos temos de saúde mental e física, e tivemos de parar para refletir sobre nosso ritmo de vida e o impacto da tecnologia e de tudo que nos cerca nas nossas vidas.
Designers e arquitetos estão olhando para o amanhã precisando pensar em como criar ambientes seguros, funcionais e confortáveis. De plantas baixas mais abertas a materiais que ajudam a mitigar a propagação de doenças, os profissionais estão olhando para o futuro considerando o que nos dá espaço para respirar e viver juntos.
Há mais de um ano em pandemia, o fluxo de viagens e turismo diminui no mundo todo. Mas nem por isso precisamos deixar de conhecer cidades distantes. Desde o início da quarentena, diversos museus e organizações prepararam tours virtuais que levam os usuários a imersões digitais pelas suas localidades. Pensando nisso, reunimos aqui quatro diferentes formas para você explorar lugares sem sair de casa.
Dizem que os shopping centers e as galerias comerciais, outrora tão frequentadas, estão com os dias contados. Embora em grande parte, a forma como costumávamos consumir tenha mudado consideravelmente ao longo dos últimos anos e sobretudo após o início da crise sanitária de Covid-19, com muitas lojas passando a operar apenas no mundo virtual, parece que muitas das mudanças que a pandemia nos trouxe chegaram para ficar. À medida que as nossas cidades continuam a crescer a um ritmo bastante acelerado, e os grandes centros comerciais e shopping centers—por outro lado—permanecem vazios e ociosos, há uma pergunta a se fazer: existe alguma possibilidade de transformarmos estes ambientes de consumo em moradia para aqueles que mais necessitam?
Products with natural germ-repelling properties—like certain woods and copper—and those with textures that help avoid bacterial growth will be common materiality considerations for commercial interiors specification following the COVID-19 pandemic.. Image Courtesy of Marin Architects
No artigo desta semana publicado pela Metropolis Magazine, a presidente do ThinkLab Amanda Schneider nos convida a refletir sobre “como nós, arquitetos e arquitetas, podemos colaborar com a criação de espaços interiores mais saudáveis e seguros em tempos de pandemia”. Questionando vários aspectos relacionados à higienização e desinfecção dos espaços habitáveis, a autora tangencia uma série de questões relativas à materialidade na arquitetura, apontando possíveis soluções para quem busca criar espaços mais seguros e saudáveis.
Um ano e meio de pandemia global de coronavírus fez – ou deveria ter feito – todos perceberem a importância dos sistemas públicos de saúde de cada país. Nunca na história se falou e notíciou tanto sobre uma crise sanitária e seus impactos na sociedade, economia e espaços públicos.
Nesse contexto, para celebrar os espaços dedicados à saúde física e mental, reunimos uma série de projetos de postos de saúde, clínicias médicas e centros de terapia de pequena e média escala. Arquiteturas concebidas para o tratamento ou prevenção de doenças, que têm no bem-estar do paciente seu enfoque principal.
https://www.archdaily.com.br/br/963637/espacos-de-prevencao-e-tratamento-20-projetos-de-postos-de-saude-clinicas-e-centros-medicosEquipe ArchDaily Brasil
No momento em que escrevo este artigo, o Brasil está na mais grave crise humanitária de sua história — não apenas uma “crise sanitária”, como se costuma comentar. A pandemia da COVID-19 matou, até 30 de abril de 2021, 411.854 de pessoas e, apenas nos últimos dias, a média móvel de mortes começou novamente a arrefecer — tendo chegado ao máximo de 3.125 em abril.
Epidemiologistas, microbiologistas, infectologistas etc. observam que o impacto da pandemia nas cidades brasileiras é fortemente idiossincrático: cada qual tem condições peculiares a considerar, antes de podermos ousar generalizações. Por outro lado, estima-se uma alta subnotificação (até um décimo dos casos reais), que, inclusive, varia entre cidades. Contudo, feitas as reservas, o que podemos observar no quadro geral?
A cidade neozelandesa de Auckland lidera a classificação geral na pesquisa anual das melhores cidades para se viver da Economist Intelligence Unit (EIU). Listando 140 cidades, as quais foram avaliadas segundo cinco diferentes categorias, incluindo estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura, a edição da EIU deste ano foi totalmente influenciada pela pandemia de COVID-19. Austrália, Japão e Nova Zelândia assumiram as primeiras posições, disparadas na frente de outras cidades e países que costumam figurar entre as melhores colocadas do ranking.