O livro “The high cost of free parking”, do professor aposentado da Universidade da Califórnia Donald Shoup, mostra que estacionamentos podem gerar um custo social relevante. Shoup mostra que o modelo de cidades centradas nos automóveis é irracional, onde se destina cada vez mais recursos e espaço para uma máquina que não é usada em 95% do tempo.
Hotel Therme Rogner Bad Blumau realizado por Hundertwasse. Foto: Intentionalart, CC BY-SA 3.0 , via Wikimedia Commons
Imaginar e experimentar outros modos de compreender a relação entre o corpo humano, os espaços e as ideias que o conectam com o mundo foi uma das principais elaborações que Hundertwasser trouxe à tona. O artista e arquiteto austríaco, nascido em 1928, desenvolveu grande parte da sua obra voltada para as questões ambientais, expondo seu ponto de vista através da teoria das cinco peles: epiderme, vestuário, casa, identidade social e o mundo. Um conceito que por sua universalidade ainda traz consigo um viés contemporâneo.
Situado no coração do distrito de Yuhang, o projeto do Bjarke Ingels Group para a nova sede da OPPO, a maior empresa de smartphones da China, combina estética e tecnologia inovadora em um edifício que será um centro ambiental, econômico e socialmente sustentável.
Arquitetas, arquitetos, urbanistas e estudantes da área têm muito a aprender com os modelos construtivos dos primeiros ocupantes do território brasileiro, que há muito tempo produzem abrigos adaptados ao contexto local. Estabelecer um conjunto de características comuns às soluções arquitetônicas indígenas se mostra uma abordagem muito superficial, já que as conformações e dimensões das ocas ou malocas indígenas variam a depender da tribo e quantidade de pessoas que habitam ali. Porém, ao estudar os diferentes exemplares da arquitetura indígena, é possível rever a noção de “tecnologia avançada” e assimilar soluções sustentáveis e adaptadas às condições ambientais.
Ciclovia de plástico reciclado no Parque Florestal de Chapultepec, na Cidade do México. Cortesia de CicloVivo
Uma ciclovia modular e pré-fabricada foi recentemente inaugurada no Parque Florestal de Chapultepec, na Cidade do México. O modelo é feito com resíduos plásticos pós-consumo, cujo design inteligente oferece ainda drenagem e armazenamento de água pluvial.
Os plásticos reaproveitados na construção da ciclovia seriam descartados ou incinerados. Outra vantagem é que se o material se desgasta, pode ser reciclado novamente criando uma vida útil cíclica.
Pesquisadores apontam que "proto-estufas" surgiram por conta da vontade do Imperador romano Tibério (42 a.C. a 37 dC) de comer pepinos todos os dias do ano. Como no inverno era impossível cultivar o vegetal na Ilha de Capri, seus jardineiros desenvolveram camas montadas sobre rodas que se moviam para o sol e nos dias de inverno eram postas sob uma cobertura translúcida feita de Selenita (uma variedade de gipsita bem cristalizada e com aparência vítrea). Mas a produção de estufas em grande escala tornou-se mesmo possível após a Revolução Industrial e com a disponibilidade de folhas de vidro produzidas em massa. Desde então, elas têm sido utilizadas para cultivar alimentos e flores, conformando um microclima adequado às espécies vegetais mesmo em locais com climas severos. Mas em alguns casos, essas condições internas também podem ser interessantes para os espaços de vida. A recente premiação de Lacaton & Vassal reacendeu esse assunto. Como é possível criar estufas que possam ser boas para humanos e plantas?
Juntamente com as preocupações com as questões relacionadas nosso ambiente, surgem movimentos, novas palavras, conceitos e termos relacionados ao seu enfrentamento, que nos obrigam a ficarmos sempre atualizados. A própria palavra sustentabilidade enfrentou alguma resistência até ser incorporada no vocabulário e utilizada largamente nos mais diversos contextos. Atualmente se fala muito sobre Economia Circular, Resiliência, 4 Rs, mineração urbana, entre outros. Além disso, há movimentos que são incorporados de outros meios, evidenciando a transversalidade de tais questões. Um deles é o dos Materiais a 0 km, que têm figurado em manifestos e alguns projetos, ainda que timidamente, nos últimos tempos.
SOS Children’s Villages Lavezzorio Community Center / Studio Gang. Image Cortesia de Studio Gang
Usado desde a era romana massivamente em construções das mais diversas escalas, é quase impossível pensar em uma edificação que não tenha ao menos um elemento em concreto. De fato, trata-se do material de construção mais utilizado no mundo, por sua versatilidade, resistência, facilidade de manuseio, valor acessível, estética, entre outros fatores. Ao mesmo tempo, sua manufatura também é um dos principais poluidores na atmosfera, sobretudo pelo fato de a indústria de cimento emitir por volta de 8% de todas as emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2).
Mas além da sua produção intensiva, tratando-se de um material tão rígido, pesado e composto por cimento, água, pedra e areia, seria possível dar um uso sustentável ao concreto após a demolição, sem destinar os resíduos como entulhos a locais indevidos, ou sobrecarregando os aterros sanitários?
Em conversa com o Louisiana Channel, a arquiteta alemã Anna Heringer descreve a forma como trabalha e sua abordagem multidisciplinar à prática arquitetônica. Crescendo em uma pequena cidade na fronteira austro-bávara próxima de Salzburg, Heringer passou um ano morando e trabalhando em Bangladesh aos 19 anos, um lugar que agora abriga a maioria dos projetos de seu escritório. Heringer se descreve como uma mistura de coisas, além de ser arquiteta, afirma ser uma ativista e uma desenvolvedora - usando sua criatividade para explorar ideias em uma variedade de formas e mídias.
Traduzindo a paisagem de Algarve para a arquitetura, inspirados pelas cores e texturas do entorno, os arquitetos laureados com o Prêmio Pritzker, RCR Architectes, projetaram residências modelo e outras instalações para o Palmares Ocean Living & Golf Resort, em Portugal.
Arroio Cheonggyecheon, em Seul (Coreia do Sul), onde uma via expressa elevada foi demolida para a construção de um amplo espaço público de lazer. Foto de Ken Eckert, via Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 4.0
A construção de ruas ao longo do século XX foi baseada principalmente na premissa de que mais infraestrutura facilita o trânsito. Evidências mostram, porém, que, em vez de reduzir o congestionamento, construir mais ruas na verdade aumenta o tráfego. Quando se reduz o tempo dos deslocamentos feitos de carro, aumenta a conveniência – com isso, em paralelo ao apelo exercido pelo veículo particular como indicador de riqueza e posição social, as pessoas tendem a fazer mais viagens de carro. Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Barcelona analisou dados de 545 cidades europeias entre 1985 e 2005 e confirmou que os esforços empreendidos ao longo dessas duas décadas para ampliar a capacidade das ruas levaram ao aumento do tráfego de veículos, e não à redução, e os congestionamentos não foram amenizados.
Uma empresa dinamarquesa, chamada KiteX, desenvolveu uma turbina eólica para quem busca uma vida “fora do sistema”. Desmontável e portátil, a turbina pode ser levada no carro para gerar energia mesmo em locais remotos.
A turbina, fabricada com hastes de fibra de vidro, pesa apenas 10 kg e é facilmente transportável. Quando precisar, basta desempacotar, montar, ancorar no solo (com um conjunto de correias de tensão de náilon de alta resistência) e começar a captar a energia do vento. A empresa estima que 15 minutos são suficientes para uma pessoa configurar todas as peças.
Centro de São Paulo. Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil, via Flickr. Licença CC BY-NC-SA 2.0
Medidas que reduzam a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos aos efeitos da mudança do clima são essenciais para o desenvolvimento sustentável. Nas cidades, o aumento de riscos climáticos devido ao processo de urbanização exige de governos locais ações de planejamento e investimentos para ampliar a adaptação climática. Este é um desafio que ultrapassa os limites geográficos das zonas urbanas e está relacionado à prosperidade de todo o planeta, afinal, é nas cidades que se concentram 55% da população mundial e 80% do PIB global.
https://www.archdaily.com.br/br/959480/3-argumentos-economicos-para-ampliar-a-adaptacao-climatica-nas-cidades-brasileirasMarina Garcia e Luana Betti
Atualização do aplicativo traz dados de emissão de CO2 nos trajetos escolhidos. Foto: Pixabay
O aplicativo Google Maps vai sugerir aos usuários as rotas onde as emissões de carbono sejam menores. A escolha das rotas com menor impacto ambiental vai levar em consideração o trânsito local, subidas e descidas, e outros fatores.
A rota ecológica será a preferência do aplicativo, sempre que não houver diferenças grandes no tempo do trajeto. Quando a alteração entre uma rota e outra for significativa, o Google vai apresentar as duas opções para que o usuário compare as emissões e o tempo de cada uma, para então escolher.
https://www.archdaily.com.br/br/959478/google-maps-indicara-rotas-com-menor-emissao-de-carbonoEquipe ArchDaily Brasil
Precisamos combater a contribuição do ambiente construído para a poluição do ar global. Acreditamos que edifícios e cidades sustentáveis são uma parte fundamental da solução para reduzir os impactos ambientais e de saúde da poluição do ar global. Edifícios e cidades verdes são um ingrediente integral para o desenvolvimento sustentável global, conforme definido pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Como parte do projeto global Better Places for People do WorldGBC, ativo em mais de 30 países em todo o mundo, temos como objetivo os impactos específicos do ambiente construído na crise de poluição do ar em todo o mundo, a fim de
Hoje, 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água. Segundo dados da ONU, entidade responsável pela criação desta data comemorativa, até o ano de 2050, entre 3,5 bilhões e 4,4 bilhões de pessoas terão acesso limitado a esse recurso, cujo uso aumentou seis vezes no século passado e hoje apresenta um crescimento de cerca de 1% ao ano.
Diante de dados tão desfavoráveis, o conceito de sustentabilidade e a importância de soluções que visam a economia e reaproveitamento da água ganham ainda mais relevância.
A água é um recurso essencial à vida humana. Garantir saneamento básico e água potável para as pessoas é um dos maiores desafios da humanidade, nas áreas urbanas e rurais, o acesso à água é determinante para a saúde e bem estar das comunidades e para o sucesso das mais diversas atividades humanas.
Por isso a crise hídrica é uma ameaça tão alarmante. O aumento das temperaturas no mundo e os desastres naturais associados às mudanças climáticas contribuem para este cenário. Estudos sugerem que em 2025, cerca de 1,8 bilhão de pessoas não terão água suficiente.
A HerCity é uma plataforma digital, criada pela UN-Habitat em parceira com o Laboratório de Idéias Global Utmaning, voltada à promoção da participação e inclusão de jovens mulheres nos processos de planejamento e desenvolvimento urbano de nossas cidades. Disponibilizando ferramentas que possam contribuir para a construção de cidades mais inclusivas e equitativas e delegando às mulheres um maior poder de decisão, a plataforma foi concebida com o principal objetivo de fornecer as ferramentas necessárias para se garantir o estabelecimento de processos de planejamento e desenvolvimento urbano mais inclusivos e atentos às reais demandas de todos os usuários—sem exceções.
Lançada no Dia Internacional da Mulher, no último dia 08 de Março, o guia para o planejamento e desenho urbano da HerCity é um esforço colaborativo desenvolvido entre a UN-Habitat e o Global Utmaning, um laboratório de ideias independente com sede na Suécia. Recentemente, o ArchDaily teve a oportunidade de bater uma papo com as líderes do grupo por trás desta importante iniciativa, durante o qual pudemos conversar sobre o processo de criação e as estratégias definidas pela nova plataforma HerCity.