Praça Raul Soares, Belo Horizonte. Foto de Luiz Felipe Silva Carmo, via Unsplash
Os processos de planejamento e desenvolvimento das cidades fazem parte de redes complexas, que muitas vezes demandam a articulação de diferentes ferramentas voltadas para o planejamento físico, mas também social, econômico, político, entre outros. O Plano Diretor é um dos principais instrumentos que existem para isso, e desempenha um papel fundamental para a regulamentação do território de uma cidade.
Segundo a definição da NBR 12267, que estabelece as normas para elaboração de Planos Diretores, estes são o “instrumento básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de desenvolvimento urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados”.
O arquiteto italiano Vittorio Gregotti, autor de Território da arquitetura (1966), acreditava que a arquitetura tem origem no gesto de fincar a primeira pedra no chão. O reconhecimento do lugar é, voluntariamente ou não, o primeiro passo em um projeto arquitetônico. A compreensão do contexto em que a obra será inserida é responsável pela fundamentação de uma série de decisões de desenho, configurando-se assim como uma atividade substancial no ofício dos arquitetos e arquitetas.
Chicago, Estados Unidos. Created by @overview. Source imagery: @nearmap
Com poucos espaços disponíveis no solo e metros quadrados cada vez mais caros, o sentido de crescimento nos grandes centros urbanos passa a ser, frequentemente, o vertical. Em grandes metrópoles, a imagem dos edifícios em altura e a imagem associada à cidade são, muitas vezes, quase indissociáveis, e assim os skylines passam a adquirir uma certa iconicidade que nos remetem imediatamente aos locais em que estão inseridos.
Em 1979, Rosalind Krauss publica o clássico artigo A escultura no campo ampliado na revista October, no qual identifica um certo esgarçamento das fronteiras no campo da escultura, “evidenciando como o significado de um termo cultural pode ser ampliado a ponto de incluir quase tudo” [1]. A crítica, particularmente destinada a uma produção artística produzida entre os anos 1960 e 1970, foi utilizada como base 26 anos depois, em 2005, para a publicação de O campo ampliado da arquitetura, de Anthony Vidler.
Como já explicamos em um artigo publicado anteriormente, o conceito da modulação na arquitetura se traduz na adaptação de um projeto a um módulo definido, seja a partir de uma medida específica utilizada como base ou das dimensões de determinado material construtivo.
Atrelada à esse conceito, mas fundamentada ainda em outras definições, as construções modulares partem do estudo prévio e da previsão de módulos pré-fabricados transportáveis para montagem no local da construção, motivo pelo qual costumam ser concluídas de forma mais ágil e eficiente quando comparadas àquelas tradicionais.
Paraty, Rio de Janeiro. Foto de Angus McIntyre. Licença CC BY-NC 4.0
O período compreendido entre o século XVI e início do século XIX no Brasil, conhecido como Brasil Colônia, tem início a partir do momento em que os portugueses invadem o território brasileiro e impõem o processo de colonização. Na arquitetura e no urbanismo, esse processo será responsável por uma série de padrões que moldaram, ao longo dos séculos, a arquitetura e as cidades no país.
Com a chegada dos portugueses, surgem as primeiras instalações dos colonizadores no território brasileiro, caracterizadas sobretudo pela sua precariedade e insuficiência na defesa de outros invasores. A partir da decisão da Coroa portuguesa de dividir as terras em capitanias hereditárias administradas por donatários, começam a surgir vilas e aglomerados urbanos.
Enquanto um espaço eminentemente hegemônico, em que os homens brancos cisgênero representaram ao longo do tempo e ainda representam a maioria nas posições de maior prestígio — desde as lideranças de grandes escritórios às premiações internacionais, como o Prêmio Pritzker —, a prática arquitetônica tradicionalmente tem invisibilizado a trajetória e experiência profissional de muitas arquitetas.
Com cerca de um quilômetro de extensão, o complexo residencial Corviale, localizado na periferia sudoeste de Roma, foi idealizado na década de 1970 como uma alternativa à expansão dos bairros-dormitórios nos subúrbios romanos, consequência do aumento populacional significativo entre as décadas de 1950 e 1970 — quando a cidade passou de aproximadamente 1,6 milhão para 2,7 milhões de habitantes — e do consequente espraiamento urbano nas zonas periféricas.
Também conhecido como Serpentone, por suas extensas dimensões, o projeto foi realizado por uma equipe de arquitetos coordenada por Mario Fiorentino entre 1972 e 1974. A construção ocorreu entre os anos de 1973 e 1982, mas a intenção inicial de destinar o quarto pavimento do edifício principal do complexo para usos de comércio, serviços e áreas comuns foi abandonada devido à falência da empresa responsável pela execução da obra. Ao longo do tempo, o pavimento foi tomado por ocupações informais e o acontecimento é tido como a origem dos problemas deste emblemático projeto na história da habitação na Itália.
Sabemos que as cores podem influenciar nossas sensações e provocar diferentes percepções do espaço, o que reitera a importância do seu estudo nos projetos arquitetônicos e a relevância da concepção de uma paleta de cores coerente. O impacto que a cor pode provocar no espaço e nas pessoas que o habitam torna-se ainda mais perceptível quando todo o ambiente é envolvido com apenas uma cor. Nesses casos não há limites para a quantidade de elementos arquitetônicos em que a tonalidade escolhida pode ser aplicada. Pisos, forros, paredes, mobiliário e até mesmo as tubulações e eletrocalhas podem ter uma coloração específica atribuída para estar em concordância com o ambiente monocromático.
Com o adensamento das cidades e redução da disponibilidade de solo, o fenômeno da verticalização tem se intensificado nas cidades de todo o mundo. Assim como a verticalização de edifícios — que costuma dividir opiniões de arquitetos e urbanistas — muitas iniciativas têm buscado na dimensão vertical uma possibilidade para promover a presença do verde nos centros urbanos. Jardins, fazendas ou florestas verticais, hortas em coberturas e estruturas suspensas para agricultura urbana são algumas das possibilidades de verticalização do cultivo de espécies vegetais, cada uma com suas especificidades e impactos específicos para as cidades e seus habitantes.
Mas seria a verticalização a solução ideal para tornar as cidades mais verdes? E quais são os impactos dessa ação nos centros urbanos? Ou ainda, quais os benefícios da vegetação que são perdidos ao adotar soluções em altura, ao invés de promover seu cultivo diretamente no solo?
Antofagasta, Chile. Created by @overview. Source imagery: @maxartechnologies
“Parece haver uma imagem pública de qualquer cidade que é a sobreposição de muitas imagens individuais. Ou talvez exista uma série de imagens públicas, cada qual criada por um número significativo de cidadãos.” – Kevin Lynch
A partir desta observação, Kevin Lynch, em seu livro “A imagem da cidade” (1960), inicia uma análise em torno de quais seriam os elementos constituintes daquilo que considera como imagem da cidade. Ao apresentar, descrever e exemplificar estes elementos como objetos físicos perceptíveis, Lynch pondera que outros fatores não físicos como a memória, a função e o próprio nome da cidade também atuam significativamente na construção dessa(s) imagem(ns).
Autodeclarado um movimento unido em torno da ideia de que o ambiente físico pode ter impacto direto no oferecimento de vidas mais prósperas e felizes aos habitantes, o Novo Urbanismo surgiu enquanto conceito nos Estados Unidos na década de 1990 e se consolidou por meio dos Congressos do Novo Urbanismo (CNU), realizados anualmente desde 1993.
Em 1996, três anos após o I Congresso do Novo Urbanismo, é lançada a Carta do Novo Urbanismo com o objetivo de estabelecer os ideais e princípios norteadores do movimento e, dessa forma, explorar as possibilidades do desenvolvimento das cidades norte-americanas.
Cercado ao sul, leste e oeste pelo Oceano Atlântico, o estado da Flórida, nos Estados Unidos, possui um litoral de mais de dois mil quilômetros de extensão e é caracterizado pela grande presença de lagos, rios e poços em todo o seu território. Com booms de crescimento significativos ao longo do tempo, sobretudo no último século, o rápido desenvolvimento de bairros, comunidades e cidades no estado frequentemente incorporaram os recursos hídricos abundantes no território, nem sempre de forma bem sucedida.
Lago das Rosas, em Goiânia. Imagem: Jean Carlos Faleiro, via Wikimedia Commons
Assim como a infraestrutura urbana pode ser definida como a rede de estruturas e serviços necessários para um funcionamento eficiente das cidades, a infraestrutura verde também pode ser entendida como uma rede interligada, mas de áreas e elementos que conservam os valores e funções dos ecossistemas naturais. Uma das múltiplas definições que circulam em torno da infraestrutura verde afirma que a sua rede constituinte promove a qualidade da água e do ar, além de uma série de benefícios para as pessoas e para a vida selvagem.
Naturalmente associadas a características como simplicidade e clareza, mas também expressividade, vivacidade e energia, as três cores primárias, responsáveis por dar origem a outras cores, oferecem uma série de possibilidades de aplicação na arquitetura. Elementos cruciais das composições dos principais expoentes do movimento De Stijl, como Piet Mondrian, Theo van Doesburg e Gerrit Rietveld, o amarelo, azul e vermelho, quando usados em conjunto, tornaram-se uma espécie de ícone no design e na arquitetura, e para muitos profissionais da área, uma obsessão.
Seja por um esforço de propor uma retrospectiva do passado, um apanhado de produções do presente ou um conjunto de perspectivas futuras (sem descartar, no entanto, a série de possibilidades que permeiam esses recortes temporais), as exposições de arquitetura e urbanismo têm contribuído ao longo das décadas para lançar questões importantes acerca dos caminhos das cidades e de tudo aquilo que as compõem. Acessíveis a um público amplo, que não necessariamente tem formação na área, esses eventos proporcionam ambientes favoráveis para explorar uma imaginação coletiva em torno do futuro da arquitetura e das cidades.
No campo da arquitetura, é comum notar em muitos projetos uma certa predileção dos arquitetos pelo emprego de materiais e elementos arquitetônicos em seu estado aparente ou bruto, como alguns preferem chamar. Com o intuito de expor a materialidade da estrutura de um edifício, é frequente, sobretudo em projetos de reformas, um processo de retirada de forros e revestimentos. Essa busca pela retomada de um estado anterior da construção — ainda sem o acréscimo de elementos para cobrir a estrutura, tubulações, canos e eletrodutos — transforma esses espaços em lugares onde não há nada a esconder.
Iniciativas ao redor do mundo têm, ultimamente, se voltado a imaginar formas de intervir no ambiente urbano a partir da atuação dos seus próprios habitantes, seja na concepção, construção, ou gerenciamento dos projetos. Compartilhando desta ideia, o urbanismo open-source, ou urbanismo de código aberto, tem buscado potencializar o papel de mudança dos cidadãos a partir da prática colaborativa.
Enquanto conceito elaborado e discutido em profundidade mais recentemente, é possível encontrar textos que abordam, em diferentes medidas, o conceito de urbanismo open-source com significados diversos. Mas, de forma geral, uma definição comum pode ser esboçada a partir do entendimento do urbanismo open-source como uma co-produção de bens urbanos comuns de código aberto.